EU SOU O HUMUS

Para aqueles que já me conhecem e convivem comigo, saibam que me sinto o mais gratificado personagem do Universo, e que continuarei, como sempre, humildemente, a propiciar-lhes mais colheitas do que qualquer outro possa ter, ao mais baixo custo que alguém, por mais que faça, possa imaginar.

Para aqueles que já me conhecem, e ainda não convivem comigo, só lhes peço mais uma vêz, que me deem uma chance para ajudá-los.

Será que algum agricultor se arrependeria de colher o dôbro, pela metade do custo?   É difícil de acreditar.

Para aqueles que não me conhecem, permitam-me que me apresente:

Meu nome é HUMUS, seu fiel servidor, personalizado pelo autor destas páginas no boneco que nelas tem aparecido frequentemente.

Meu Pai, é o Grande Arquiteto do Universo, ou se preferirem, a Grande Energia Universal, da qual todos somos pequenas parcelas.

Minha Mãe, bem, é a Matéria Orgânica, ou se preferirem, o Grande Arquiteto do Universo, ou ainda a Grande Energia Universal.

Minha residência, quando não me mandam embora ou me destroem, é o solo.

Qualquer solo.   Até o de sua propriedade agrícola ou o de seu jardim residencial.

Eu começo a existir fìsicamente, quando a matéria orgânica, minha mãe, entra em decomposição, pela ação de fenómenos bioquímicos, provocados por micro-organismos, e por fenómenos puramente químicos.

Fundamentalmente, a matéria orgânica é uma mistura muito variada de resíduos vegetais e ou animais, que todos os agricultores, mesmo involuntáriamente, incorporam ao solo, ou deixam abandonada sôbre ele.

Por sua origem, vegetal ou animal, essa massa traz incorporada uma variedade imensa de micro-organismos, que para sobreviverem, decompõem-na, retirando da mesma, energia e elementos que lhe são necessários tanto à sua formação e sobrevivência, quanto à sua multiplicação.

Por isto, o solo aparece-nos assim como uma massa em contínua evolução.

Tem vida.

E é precisamente a matéria orgânica e a sua constante decomposição, que imprimem ao solo, características químicas e biológicas de extrema importância para a vida das plantas.

A matéria orgânica pode então considerar-se constituida por duas frações.

A primeira, constituida pelos resíduos vegetais e ou animais em constante decomposição, que se tem denominado como Matéria Não Húmica, ou Substância Não Húmica, a qual produz por mineralização, carbohidratos, e libera elementos fertilizantes.

Por esse motivo, também é designada por Humus Nutritivo.

As substâncias não húmicas, têm um papel muito importante na dinâmica do solo, porque servem de alimentação aos micro-organismos vegetais, a animais microscópicos, e até a algumas espécies um pouco mais evoluidas, como os anelídeos (minhocas).

A segunda parte da matéria orgânica, de côr escura, resiste fortemente à decomposição biológica, e tem sido denominada como Humus Estável, ou Humus Permanente, ou ainda como Humus Ativo.

Esse, sou EU.

Sim, aqui estou.   Uma substância negra, formada no solo pela decomposição de substâncias orgânicas, sob a ação combinada do ar, do espectro solar, da humidade, e de micro-organismos.

Sou Matéria Viva, e não gosto de viver sòzinho.

Estou sempre acompanhado de micro-organismos, como bactérias, de anelídeos, de algas, de fungos, e de outros.

Cá para nós, tenho de confessar: - sem eles, eu não poderia existir.

O autor destas linhas, resolveu personificar-me naquele bonequinho que se encontra várias vêzes nesta página.   Acho que não fiquei muito feio.

Quìmicamente, sou composto, na maior parte, de ácidos húmicos, ou ácido húmico (para facilitar), ácidos fúlvicos ou ácido fúlvico (também para facilitar), e humus insolúvel, além de outras substâncias mais ou menos complexas, como aminoácidos, ácidos nucleicos, fosfolipídeos, fitina (fosfato de tiamina), vitaminas, hormonios, enzimas, antibióticos, complexos organometálicos, e muitas outras substâncias.

Se alguém me tratar com amoníaco, a frio, verá que me transformo num líquido negro, e num depósito ou precipitado insolúvel.

Êsse líquido negro, á uma substância coloidal, que foi denominada como Humato de Amonea, formada pela combinação de meu ácido húmico com o amoníaco.

A parte insolúvel, é o Humus Insolúvel.

O meu ácido húmico, tem a propriedade de se comportar como um colóide, da mesma maneira como a argila.   Só que é ainda mais estavel do que o da argila.

Assim, provoca os mesmos fenómenos de absorção, porém, de maneira muito mais intensa.

Como lhes disse, não gosto de viver sòzinho.

Também me associo aos colóides minerais do solo, e desta forma, passo a ter um papel determinante no equilíbrio de retenção e liberação dos elementos fertilizantes, e na própria retenção da água.

Se alguém me comparar aos colóides minerais, garanto que não poderá distinguir qual de nós é o mais favorável ao solo.

Juntos, nós nos completamos, e nossa presença é fundamental para a manutenção da produtividade agrícola.

Nos solos pesados e compactos, eu produzo um efeito mecânico de destorroamento, aumento os espaços lacunares, estabilizo os agregados, aumentando a capacidade de retenção de água no solo, e evitando a formação de crostas superficiais.

Assim sendo, eu melhoro a drenagem hídrica e o arejamento, diminuindo assim a erosão provocada pela água.

Ainda por estas propriedades, facilito a atividade dos micro-organismos, e crio condições para a completa difusão pelo solo das raizes e pêlos radiculares das plantas.

Pela minha presença, a densidade aparente do solo diminui.

Nos solos leves, meus compostos coloidais exercem um efeito opôsto, aglutinando-os, granulando-os, e dando-lhes assim mais corpo.

Os espaços lacunares, e consequentemente, a permeabilidade do solo, reduzem-se, mas por outro lado, aumento-lhe a retenção da água.

Eu também absorvo água, à razão de 5 a 6 vêzes meu pêso.

Quando eu absorvo água, aumento de volume, e quando a perco, diminuo de volume.

Com isto, eu mexo na estrutura do solo, através da movimentação mecanica que provoco.

Consequência do meu efeito de granulação sôbre os solos leves, também evito, em parte, a erosão causada pelos ventos (erosão eólica).

Como eu reduzo a plasticidade e a coesão das partículas do solo, eu o torno mais fàcilmente trabalhável.

Devido à minha côr preta, escureço a côr do solo, e assim êste absorve, como é óbvio, maior quantidade de energia radiante.

Desta forma, o solo aquece-se mais ràpidamente, e resfria-se mais lentamente, diminuindo o tempo de germinação das sementes, e linearizando um pouco mais as oscilações térmicas a que está submetido.

Tenho uma enorme Capacidade de Troca de Cátions (CTC), e por mim, a CTC também aumenta.

Como já lhes disse, tenho um comportamento coloidal, e como tal, sou especialmente recomendado para solos arenosos, pois vou aumentar-lhes o teôr em elementos coloidais.

Como colóide, tenho propriedades aderentes, e provoco a coagulação das partículas arenosas, possibilitando assim a formação de agregados, especialmente quando há cátions bivalentes, como o Cálcio e o Magnésio.

Eu, como colóide, sou eletronegativo, e assim sendo, absorvo e retenho os elementos nutritivos sob a forma de cátions, como o Cálcio, o Magnésio, o Potássio, o Amonio, e impeço o seu arrastamento, por minha ação eletromecânica.

No entanto, deixo esses elementos suficientemente livres, para poderem fàcilmente ser absorvidos pelas plantas.

De fato, as substâncias das quais sou composto, constituem uma reserva de elementos nutritivos muito útil, pois está à disposição das plantas de forma lenta e progressiva.

Porisso, minha incorporação ao solo permite economizar elementos nutritivos minerais.

Como eu aumento a Capacidade de Troca de Cátions (CTC), e em virtude da minha constituição parcial de ácidos orgânicos, os ácidos húmicos, quando êstes se associam ao Fósforo e ao Cálcio, atuam no solo como tamponizantes da acidez, e como fontes de fosfato assimilável pelas plantas.

Isto acontece, provàvelmente numa reação anfótera, semelhante ao que ocorre com o leite.

Quanto mais Humus, maior a resistência do solo às mudanças do pH.

Assim, quando o solo onde eu for colocado estiver ácido ou alcalino, não exagere na preocupação em corrigir o pH.

Deixe primeiro eu trabalhar.

Se eu não conseguir fazer tudo, pedirei ajuda.

Acham que eu iria deixar alguém gastar desnecessàriamente doses elevadas de calcáreo ou Enxôfre?

Ainda como consequência de meus ácidos húmicos e ácidos fúlvicos, eu solubilizo substâncias minerais do solo, colocando-as à disposição das plantas.

Exemplo típico, é o que eu faço com o Potássio fixado ao solo.

Como já lhes disse, e volto a repetir, não gosto de viver sòzinho, e se há alguém que procuro manter perto de mim, é aquela parcela de minha mãe, a que chamei de Matéria Não Húmica, ou Substância Não Húmica, ou ainda Húmus Nutritivo.

O húmus nutritivo é muito importante, porque é o manancial de alimentos dos micro-organismos.

E não é só isso.   Ele também contribui para a formação de produtos úteis ao metabolismo desses organismos.

Uma parte do húmus nutritivo, é consumida pela alimentação e respiração dos micro-organismos, pela qual se forma gás carbonico.

Parte dêste, difunde-se na atmosfera, e é assimilado pelas plantas verdes por ação clorofiliana.

Outra parte, solubiliza-se na solução do solo, e forma ácido carbónico, o qual provoca a solubilização dos elementos nutritivos em forma não assimilável, e contribui para a formação de uma estrutura granulada estável, por dissolução dos compostos cálcicos.

Durante a transformação biológica das substâncias orgânicas, as mais fàcilmente atacáveis, decompõem-se, ao passo que as mais resistentes se acumulam.

O desaparecimento das primeiras, facilita a transformação das segundas.

Estas, logo que as condições forem favoráveis, transformam-se por auto-oxidação, condensação, e polimerização, em compostos húmicos, de côr escura e de pêso molecular mais elevado.

Devido à respiração dos micro-organismos, êstes consomem grandes volumes de Oxigenio, que é retirado do ar acumulado nas lacunas do solo, criando assim uma diminuição do teôr de oxigénio desse ar.

Ocorre então, que elementos como o Ferro e o Manganês, que em solos arejados estão em formas oxidadas, Fe+++ e Mn+++, não aproveitáveis pelas plantas, se reduzem para Fe++ e Mn++, que são formas bem absorvíveis.

Eu ainda vou mais longe.

Durante minha formação, formam-se complexos orgânicos com o Ferro, Manganês, Boro, Zinco, e outros, a que chamamos de microelementos, complexos esses que não permitem que tais elementos se precipitem, colocando-os sempre disponíveis às plantas.

Eu sei fazer isso há muito tempo, e sempre coloquei essa capacidade à disposição de quem a quisesse.

Porém, só há relativamente pouco tempo, os cientistas desenvolveram os complexos organometálicos sintéticos, como os quelados.

Resumindo, posso apontar-lhes minhas principais funções no solo:

1 - Melhoro as propriedades físicas, favorecendo o estabelecimento e a manutenção de uma estrutura propícia ao desenvolvimento das plantas.

2 - Sou um manancial de elementos nutritivos.

3 - Sou uma fonte de Carbono, e promovo a formação de gás carbónico, que dissolvendo-se na água do solo, aumenta o seu poder de solubilização.

4 - Mantenho o Fósforo em estado assimilável pelas plantas, mesmo em presença de calcáreo e Ferro livres, devido à formação de complexos fosfo-húmicos.

5 - Sou uma fonte muito importante de Nitrogenio.

6 - Reduzo a fixação do Potassio.

7 - Forneço ao solo quantidades prodigiosas de micro-organismos, e favoreço o seu desenvolvimento.

8 - Formo com a argila, em presença do calcáreo, o Complexo de Absorção dos Solos, e contribuo também para a retenção de matérias nutritivas.

9 - Aumento a capacidade de produção agrícola, sendo justamente considerado como base da fertilidade dos solos.

Infelizmente, eu desapareço aos poucos dos solos cultivados.

Porquê?

Há muitas razões, algumas das quais poderão conhecer a seguir.

As matérias orgânicas, quais sejam as restevas e todo e qualquer resíduo que fica no solo após as colheitas, são em quantidade muito pequena para que eu me refaça.

Sou mais consumido do que repôsto.

A aeração mal equilibrada do solo, ou não permite a minha formação, ou não permite a minha fixação.

A aração do solo, é uma das operações que mais contribuem para a minha destruição.

Quanto a queimarem por cima de mim, resíduos da limpeza dos solos, nem quero falar.

Que crime cometem comigo!

A temperatura e a umidade do solo, normalmente com estrutura física mal condicionada, ou inibem minha formação, ou me destroem.

Solos de onde me mandaram embora, tornam-se inférteis, e dificultam meu retorno.

A topografia do solo, às vêzes, também dificulta minha formação.

E também, como todos os sêres viventes, a idade do solo nem sempre me facilita a vida.

Num solo jovem, eu sempre estou lá, mas não mais do que 5 anos, se esse solo for usado e não cuidarem um pouquinho de mim.

Após utilizarem o solo para agricultura, esquecem-se de mim, desgastam-me, não repõem matéria orgânica para que eu me refaça, e no final, na realidade, estão me mandando embora.

Mas eu não sou humano.   Não tenho sentimentos.   Simplesmente existo.

Não me entristeço, não choro, não fico alegre, e o que é mais importante, não morro.

Sou uma forma de energia, e não existe definição para energia.

Só podemos identificar e definir as consequências das diversas formas de energia.

Assim, eu me transformo, pois não sou possível de ser destruido.

Não me querem? Simplesmente vou para os lugares onde me queiram.

Quem me criou, também providenciou, em algum lugar, sempre, uma fração de solo para eu me acomodar.

Por favôr, não queiram destruir isso também.

Mas eu não sou tão bonzinho assim, como alguém possa pensar.

Se me mandarem ebora, e me quizerem de volta, devo dizer-lhes que eu demoro para me formar.

Afinal de contas, qualquer ser vivo precisa de algum tempo para se tornar adulto, e exercer plenamente as atividades de sua espécie.

E de uma forma ou de outra, eu sou Matéria Viva.

Seguindo os processos naturais, aquele que me quiser de volta, e começar agora a incorporar matéria orgânica ao seu solo, mesmo que use sòmente os conhecidos "compostos orgânicos", ou os "estêrcos curtidos", só daqui a uns 5 anos teria de 6,0 a 7,0% dessa matéria orgânica transformada na minha pessoa.

Demorado, não acham?

Ora, isso não é motivo para entristecer ninguém, ou mesmo fazer com que desistam da idéia de me ter.

Aliás, a melhor idéia que já puderam ter.

Alguns grupos de estudiosos e pesquisadores, integrando Agrónomos, Engenheiros, Biólogos, Biomédicos e Bioquímicos, inconformados com o meu desaparecimento paulatino, e por me terem como um amigo, decidiram ajudá-los.

Meteram mãos à obra.

Pesquisaram a Natureza, colheram dados, informações, pernoitaram em seus laboratórios, e finalmente, triunfaram.

Descobriram processos simples, baratos e eficientes para, estimulando os processos da natureza, fazerem eu me desenvolver, e aparecer ràpidamente.

De acôrdo com os processos descobertos, em apenas 30 dias, qualquer Matéria Orgânica terá 40,0% de seu total transformado em Humus Ativo, e no máximo em 90 dias, 70,0% de seu total, serei EU.

Isso é muito mais do que 5,0% de Humus que a natureza vos dá em 5 anos.

Ainda existe quem gosta de mim.

Bem, amigos, êste sou EU, o Humus.

Espero que agora me conheçam bem, e possam dar-me algum valôr.

Neste texto, procurei mostrar-me o melhor possível, através de algumas de minhas facêtas principais, e espero que tenham gostado de mim.

E, se dentre vocês que agora passaram a conhecer-me um pouco melhor, tiver alguém que me queira no solo de sua propriedade, de forma rápida, procure aquele grupo de cientistas de que lhes falei.

Em algum lugar vocês os encontrarão.

Quanto a mim, bem, estou prontinho a ir com quem me quizer.

Que a Fôrça Maior do Universo esteja sempre com todos vocês.

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